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quarta-feira, 18 de abril de 2018

Chama

chama de puta
chama!
chama biscate
chama!
chama!
chama de quenga
chama!
chama de vadia
chama!
chama de cachorra
chama!
chama de fácil
chama!
chama de prostituta
chama!
chama de alcoviteira
chama!
chama de rameira
chama!
chama piriguete
chama!
chama de vaca
chama!
...
devassa
promíscua
meretriz
oferecida
vagaba
à toa
galinha
piranha
espevitada
putinha
chama!

e queime
totalmente 
neste fogo
porque o desejo
é nosso!


quarta-feira, 11 de abril de 2018


Feche as pernas
e não desfruta
fruta
madura
cheiro
meio
des
fruta.
Se trocar
por disfrutar
pode abrir
sempre
que quiser
e gozar.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Baile


Todos os dias às cinco ela varria o terreiro
tinha muitas perguntas consigo
e tentava resolver tudo sozinha
porque logo depois vinha o café
e sempre alguém na cozinha
interrompia
as questões
que fazia desde menina
e ela nunca delegou esta atividade
porque tentou
um dia
dizer para sua avó
que era loucura
varrer a terra
porque
é difícil
controlar o pó,
mas levou um tapa
foi chamada de preguiçosa
então assumiu a atividade
e nunca passou pra ninguém
antes do café
as perguntas
as respostas não voavam
porque ela borrifava água
e a piaçava dançava
embaixo da mangueira.
Na época das mangas maduras
moscas azuis
enormes
estavam presentes.
Então chegou um dia
em que ela não sabia ao certo
que horas deveria varrer o terreiro
o tempo
algo confuso
atrás da porta
sempre que olhava
para a vassoura
começava a tarefa
varria duas
três
cinco
dez vezes.
A pequena casa
parecia observar a mudança
ela, cansada,
sentou na soleira
e não levantou mais
as mangas maduras
seu relógio
as moscas
azuis
ou seriam verdes?
transformaram-se em olhos
do passado
um ruído
a impedia
de varrer
ficou ali
imóvel
olhos
azuis-esverdeados
já não se lembrava
a cor que tinha
o amor
só sabia que precisava de vento
por isso ela preferiu sempre estar lá fora
com a terra
o banho matinal de pó,
mas agora,
as moscas
eram os olhos
infinitos olhos que voavam
ela hipnotizada
já não sabia mais dançar.

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Risco um fósforo
e se conseguir queimar
todo o palito
um desejo
é ofertado pela brasa
dedos ágeis,
pois geralmente
está em jogo
um amor
que precisa queimar
até o final
há um filme
em que a personagem
come os fósforos
fico imaginando
o sabor
dos palitos
quando o jogo
realmente
termina
já não adianta
insistir
em chamar
chama
quase sussurra
as fagulhas sempre desafiam
uma história
escrita
na brevidade
que dança

sem saber o motivo.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Eram tantas crianças
pela casa
e o açúcar usado para o café
um doce a ser surrupiado
o manjar daqueles dias de fome
de pequenas brigas constantes
por pouco
ou por nada
tempo
em que se cozinhavam uma espécie de rã
a vida sufocada
será verdade
que elas pulavam dentro da panela?
uma refeição improvisada
para enganar o vazio
gias na água quente e sem sorte
quando acaba o açúcar do chiclete
você pode passar ele dentro do pote.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Um estampido seco
cada vez
que cai
uma manga.
a consciência fica mais tranquila
só resta o desejo estatelado
[que se escuta abafado do outro lado
do muro].

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Tapioca

O polvilho branco na sua mão
bem no centro 
a vida doce
voa.
Um sopro
que não se sabe de onde vem
suas mãos ágeis
podem sentir o momento
em que a água é suficiente.
O polvilho reclama a água,
mas não muita
sua mão
sua mesa
a farinha no chão
a farinha em você
e um pensamento.
Poderia até dedicar esta receita
a alguém,
mas você sabe bem
que comerá tudo afoita
com manteiga de garrafa
torcendo pra que não chegue 
uma companhia que só espera a partida. 
A dedicatória será somente o pensamento.
A farinha no seu peito
e no seu cabelo,um luxo,

só o seu coração sabe o ponto
e a necessidade da peneira.


quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Pipas coloridas
neste céu
de nuvens
sem formas
ventos e sentimentos
fortes
movimentos guiados
por fios
maliciosos
[intentos]
responsáveis
por todos os cortes.